Terror e estatísticas

O número de vitimas em Iraque é arrepiante. O dano que se está produzindo a estas vidas, a este país e, enfim  ao mundo inteiro é irreparável. É  uma tragédia que não tem nome.

Entretanto, já que as noticias que se recebem são tão terrivéis, se perdem nas estatísticas. É  demasiado grande para que nossa mente possa entender.

Miles-familias-Islamico-cristianas-Irak_TINIMA20140807_0348_5

Por isso eu vou contar pra vocês esta história que eu escutei hoje. É para ver de frente a tragédia. Não no sentido que vão a ver uma foto ou gravar um nome. Não, por respeto às vitimas estas coisas não vão incluidas nesta crônica. Somente a mesma noticia, para que cada um de vocês possam depois, quando escute as cifras dos perseguidos, possam imaginar uma história similar em cada caso. Para que as estatísticas não cubram a pessoa real que está sofrendo.

Hoje duas mulheres me vieram a ver para pedir-me a certidão de batismo de vários membros de suas familias. Como eu contei anteriormente é uma certidão que necessitam para pedir o visto para deixar  o país. Como sempre lhes perguntei si elas iam embora e, me disseram que sim e me contaram o porquê.

Elas vivem perto de Bagdá, mas tem familiares em Qaraqosh, a maior cidade cristã do país que faz alguns dias foi tomada pelos terroristas do chamado Estado Islâmico.

Previdos que a cidade estava por ser tomada, quase todos os seus parentes abandonaram Qaraqosh com a roupa que tinham vestida, nada mais poderam levar. Porém, três deles não puderam. A mãe de uma delas que é idosa e está doente, por isso não pode fugir e, com ela ficaram o irmão da senhora que me contou o fato e a sua esposa.

Os terroristas os visitam diariamente presionando-les para que se convertam ao Islâo. Eles falam com o irmão desta senhora e vendo sua negativa uma e outra vez lhe falaram  que ele tem alguns dias mais e, que se não se convertem, eles vão  levar a sua mulher para dár-la a um dos combatentes e mataria os outros.

Houve um dia que  eles conseguiram deixar a casa com o carro e  tentaram fugir, mas foram detidos afora da cidade e foram obligados a voltar. Não deixam a nenhum dos cristãos que não puderam  fugir antes da sua chegada ir-se da cidade. Somente lhes dá uma opção: Islão ou morte.

Não podem sair de casa porque si saem podem levar a mulher que está sozinha, si sai o homem sozinho entram na casa e levam a sua mulher e, si saem os dois juntos tomam a casa e deixam a mãe na rua ou a matam.

Quase não tem eletricidade, tinham alguns alimentos na geladeira,  mas tá quase acabando e como não podem sair, não podem comprar comida e estão ficando sem água. Estão rodeando sua casa, esperando que redam ou que morram de fome ou sede.

Os mesmos vizinhos, pessoas com as quais se dabam bem, que se conhecem a vida inteira, se transformaram em enimigos; quando saiem no quintal lhes dizem que se convertam e lhes maltratam.

Os terroristas tiraram as cruzes das Igrejas,  eles as profanaram usando-las para outras coisas, entram nas casas dos cristãos que escaparam e levam tudo de valor e, destrõem seus negócios.

Eles vão nas casas dos cristãos que ficaram para levar as suas mulheres.

De acordo com esta senhora são muito mais as familias cristãs que ficaram nesta situação na cidade que o que se esta informando. De acordo a o que ela fala seria umas 150 familias.  Todas elas estão sozinhas sem ninguém que as ajude. Todas elas condenadas a morrer lentamente ou esperando que entrem para matar-los. O senhor que ficou ali com sua mãe e a sua esposa lhes falou que preferia que entrem o mais rápido possível e os matem, assim se termina tudo.

Esta é somente uma hitória real das milhares que se vivem em Iraque neste momento. É uma história que temos que lembrar quando a gente escuta os números que estão usando . Porque é a única forma que as estatísticas deixem de ser somente números e,  cheguem ao profundo de nosso coração.

Lhes pedimos orações por estas familias rodeadas e  aterrorrizadas nos seus lares. Que Deus lhes dê Sua fortaleza.

Rezemos para que o mundo reacione e termine esta barbaridade.

Pe. Luis Montes, IVE

Tagged , , , . Bookmark the permalink.

Deixar uma resposta