Ataques do EI contra Exército no Sinai egípcio deixam mais de 70 mortos

O grupo jihadista Estado Islâmico (EI) lançou nesta quarta-feira uma série de ataques sem precedentes contra o exército no Sinai egípcio, deixando 36 mortos, em sua maioria soldados, um novo duro golpe contra o regime do presidente Abdel Fattah al-Sissi.
Confrontos eclodiram entre soldados e jihadistas após a onda de ataques, causando também 38 mortes entre os extremistas no Sinai do Norte, no leste do Egito, segundo fontes médicas e de segurança. Os combates prosseguiam nesta tarde.
Este balanço é um dos mais pesados sofridos pelo exército neste reduto do grupo Ansar Beït al-Maqdess, braço do EI no Sinai, que multiplicou os ataques contras as forças de ordem desde a destituição pelo exército do presidente islâmico Mohamed Mursi em 2013.
Na parte da manhã, os jihadistas lançaram uma série de ataques coordenados em uma escala sem precedentes contra várias posições do exército no leste de al-Arish, utilizando carros-bombas e foguetes, segundo as autoridades.
A intensidade dos combates impediu as ambulâncias de se aproximar. O exército enviou helicópteros Apache para combater os jihadistas.
“Esta é uma guerra. A batalha continua”, disse um oficial militar à AFP.
“Dado o número de terroristas mobilizados e as armas utilizadas (estes ataques são) sem precedentes”, acrescentou. Pelo menos 36 soldados e civis foram mortos, indicaram autoridades da segurança e de saúde, ressaltando que a maioria dos mortos eram soldados.
Quinze soldados foram mortos em um dos ataques, realizado com um carro-bomba contra um posto de controle ao sul de Sheikh Zouweid, perto de Al-Arish, capital do Sinai do Norte, disse um deles.
‘Exército infiel’
Os jihadistas também minaram os arredores da delegacia de polícia de Sheikh Zouweid para impedir a chegada de reforços, antes de se posicionar sobre os telhados de edifícios circundantes e atacar o edifício com lança-foguetes, segundo um coronel da polícia.
Em um comunicado divulgado nas redes sociais, o grupo “Província do Sinai” reivindicou os ataques, acrescentando que três homens-bomba estavam envolvidos nos ataques.
“Os leões do califado atacaram simultaneamente mais de 15 postos de controle do exército apóstata”, disse, afirmando cercar a delegacia.
Antes chamado de Ansar Beit al-Maqdess, o grupo mudou seu nome para marcar sua lealdade ao “califado” auto-proclamado pelo grupo ultrarradical EI nos territórios conquistados no Iraque e na Síria.
Esses ataques ocorrem dois dias após o assassinato no Cairo do procurador-geral do Egito em um ataque com bomba, o mais alto representante do Estado a ser morto desde o início da onda de ataques jihadistas em 2013.
Apesar de o assassinato não ter sido reivindicado, Ansar Beit al-Maqdess convocou no mês passado seus partidários a atacar os juízes em resposta ao enforcamento de seis homens condenados por realizar ataques em nome do grupo.
Os jihadistas dizem agir em retaliação à sangrenta repressão contra os pró-Mursi, que fez mais de 1.400 mortos.
Luta contra o terrorismo
Em 12 de abril, 14 pessoas, em sua maioria soldados e policiais, foram mortos em dois ataques reivindicados pelo Ansar Beit al-Maqdess no Sinai do Norte, uma região que faz fronteira com Israel e o território palestino da Faixa de Gaza.
E em 2 de abril, um ataque matou 15 soldados e dois civis, além dos 15 agressores.
Em outubro de 2014, 30 soldados foram mortos no ataque mais mortal contra o exército no Sinai.
Uma vasta campanha militar foi lançada contra os jihadistas nesta região há quase dois anos, mas não conseguiu parar os ataques.
Segundo as autoridades, centenas de policiais e soldados foram mortos desde então.
Após o assassinato do procurador, o presidente egípcio, Abdel Fattah al-Sisi, ex-chefe do exército que derrotou Mursi, prometeu uma legislação mais dura para “a luta contra o terrorismo”.
Os novos ataques no Sinai são mais um revés para Sissi, cujas forças de segurança estão travando uma repressão implacável contra os islamitas, mas também contra a oposição de esquerda e laica.
A Irmandade Muçulmana de Mursi foi classificada de organização “terrorista” no Egito e foi acusada de estar por trás dos ataques mortais nos últimos meses contra forças de segurança, o que ela nega.

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