Autor de decapitação na França tinha vínculos com o Estado Islâmico

Yassin Salhi, o francês que decapitou na sexta-feira seu chefe e que atacou uma usina de gás, tinha “motivação terrorista”, apesar de alegar vingança pessoal, e também possuía vínculos com o grupo jihadista Estado Islâmico (EI), afirmou nesta terça-feira a justiça francesa.
“A investigação dá a entender uma motivação terrorista no gesto de Yassin Salhi, ainda que justificado por considerações pessoais”, declarou durante uma coletiva de imprensa o promotor de Paris, François Molins.
A ação do entregador de 35 anos, menos de seis meses após os atentados dos dias 7, 8 e 9 de janeiro em Paris (17 mortos), reforçou a preocupação das autoridades quanto a capacidade da França de lidar com as ameaças terroristas, sendo um dos países ocidentais mais expostos em razão de seu envolvimento na luta contra movimentos jihadistas na África e no Iraque.
O primeiro-ministro francês, Manuel Valls, falou no domingo de uma “guerra de civilizações” liderada pela França contra a “barbárie”, contra “o terrorismo islâmico”.
Ao contrário de Mohamed Merah, que assassinou em 2011 no sudoeste da França três militares, três crianças e um professor, e mais recentemente os irmãos Kouachi e Amédy Coulibaly, autores dos ataques de Paris em janeiro, que proclamaram vínculos com o islã radical, Yassin Salhi contestou qualquer motivação religiosa para seus crimes.
Contudo, segundo o promotor de Paris, Salhi, que foi detido logo depois do ataque, havia enviado fotos da decapitação a um francês que está na Síria, com um pedido para que o EI divulgasse as imagens.
Além disso, ele considerou que o atentado cometido por Salhi “corresponde exatamente às determinações do Daesh (acrônimo em árabe do EI)”, ou seja, matar “infiéis”, declarou Molins, que comparou a tentativa de explodir a usina de gás a uma “operação mártir” praticada pelos jihadistas.
Segundo o promotor, Salhi mantinha contato com frequência com um francês que está na Síria, identificado como “Younes”, e enviou a este uma selfie com a cabeça de seu chefe, que decapitou antes do ataque contra a usina, localizada perto de Lyon (centro-leste).
Salhi colocou a cabeça da vítima na cerca da usina de gás, ao lado de bandeiras com frases muçulmanas, que ele disse ter comprado na véspera do ataque, segundo Molins.
O promotor também revelou um “testemunho indireto”, segundo o qual Younes teria “solicitado a autorização do EI para divulgar a selfie”.

Assassinato e terrorismo
Um inquérito judicial foi aberto por assassinato vinculado a uma organização terrorista e o suspeito, preso desde sexta-feira, poderia ser indiciado rapidamente.
Na prisão, o suspeito não reivindicou motivação política, explicando que os atos foram motivados por um conflito com o chefe, que o teria criticado dias antes, e uma disputa conjugal.
“Na realidade, uma coisa não exclui a outra e a escolha de matar uma pessoa pela qual sentia aversão não exclui uma motivação terrorista”, considerou o promotor.
Demonstrando uma “memória seletiva”, Yassin Salhi assegurou aos investigadores que não lembrava do fato de ter colocado a cabeça na cerca e nem do envio da foto.
Contudo, “todo seu comportamento demonstra que, a partir da véspera, ele havia idealizado seu projeto criminosos terrorista”, afirmou o promotor.
Salhi era monitorado desde 2003 pelos serviços de segurança em razão de seu radicalismo islâmico. De acordo com uma fonte próxima ao caso, ele poderia conhecer cerca de 500 pessoas que partiram da França para lutar ao lado de jihadistas.
Segundo o promotor, Yassin Salhi “fez várias viagens a Marrocos e Arábia Saudita”, em 2003 e 2004.
A esposa e a irmã do alegado assassino evocaram uma estadia na Síria em 2009 com sua família, muito antes do início dos combates envolvendo os jihadistas. Mas a polícia ainda não encontrou nenhum vestígio desta viagem.

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