Exercícios inacianos em Duhok

iraque2No Iraque a documentação para renovar a residência não é complicada mas sim pesada. Depois de pedir uma carta ao bispo, de estar uma manhã na oficina de assuntos cristãos, e de percorrer umas 30 oficinas no edifício de residências se deve esperar que os papéis passem por todos os contrôles do estado até que nos dêem o ok. Esta espera é de uns dez meses.

Na práctica estivêmos uma média (por ano) de seis meses com a residência, e outros tanto fazendo os documentos.

Isto fez com que não pudêssemos sair da cidade para conhecer outros lugares dentro do país juntos como comunidade, porque quando el P. Jorge tinha a residência a minha estava em processo, e vice-versa.

Também dificultava o fato de sair sozinhos, porque tanto para ir ao norte do país, como para ir a Basra (ao sul), existe dezenas de controles durante o caminho, e ainda que os papéis de residência foram iniciados, algum soldado nos podia fazer voltar e arruinar assim a viajem.

É por isso que práticamente não saimos de Bagda.

Mas em agosto deste ano as leigas consagradas da diocese nos pediram que lhes pregassêmos exercícios espirituais numa casa que as Filhas de Maria (também consagradas) tem em Duhok, no norte.

Nos disseram que fizêssemos uma prova, que com uma carta oficial da Igreja não íamos ter problemas. Foi assim, que sem ter os papéis totalmente em ordem porque estava em processo, fui em direção com as três leigas consagradas a esta cidade.

Duhok é a capital do governo homônimo. Têm aproximadamente um milhão de habitantes, e está rodeada de montanhas.

O contraste com Bagdad é notável: ruas amplas, limpas e ordenadas, sem controles do exército, não estão fechadas com bloques de cimento, ar limpo, eletricidade 24 horas por dia (em Bagdad recém esta semana, depois de três anos vivendo aqui, tivêmos um dia inteiro de electricidade nacional. No verão tivêmos umas 4 horas por dia), sem atentados nem explosões, etc. Depois de três anos escutando explosões todo o tempo parecia outro país!!!iraque3

Estive pregando os exercícios por quatro dias e depois tivêmos alguns dias para conhecer as cercanias: montanhas, côrregos, cataratas, etc.

A experiência foi muito enriquecedora, em primeiro lugar faz anos que não se praticam exercício inacianos no Iraque.

Estávamos ao lado do rio Tigre, o terceiro rio que brotava do Paraíso Terrenal (Ex 2,14), na terra natal de nosso pai Abraão (Ex 11,31), lugar onde se encontrava Babilônia, símbolo do poder caduco do demônio, nomeada por São Inacio na meditação de duas bandeiras [138].

As exercitantes ficaram muito felizes e pediram fazer os exercícios espirituais novamente o ano que vem.

Em segundo lugar descubrimos um lugar ao qual podemos vir a “tomar ar” sem necessidade de sair do país (as Filhas de Maria nos ofereceram  generosamente vir quando queiramos).

Terceiro, nos permitiu conhecer algo da variedade de Iraque, país cheio de contradições onde se vê claramente a grandeza de Deus e a miséria do pecado.

Existe tanto para fazer. Parece tão pouco o que nos podemos. Entretanto, o bem que se semea sempre dá frutos!

Contamos com suas orações.

P. Luis Montes VE

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