Seu filho não respirava ao nascer, rezou a um sacerdote iraquiano mártir e então… Chegou o milagre?

iraque14

O bebê sempre estará acompanhado pelo padre Ragheed

Javier Lozano / ReL

O padre Ragheed, assassinado ao voltar de uma missa, deixou um legado vivo entre os católicos caldeus

Quem são os cristãos caldeus? Que significa ser cristão em Iraque?

Diz um jornalista Ed West. Mas não o faz na sua condição de diretor adjunto da publicação britânica The Catholic Herald senão como pai e como católico. A história que ele conta é sobre os problemas que se produziram quando nasceu seu filho e, a intercessão que pediu nesse momento ao Padre Ragheed Ganni, um sacerdote iraquiano muito carismático e querido entre sua comunidade e, que foi assassinado em 2007 em Mosul.

Diz o própio Ed West que “inclusive se não fosse o responsável de um milagre, sempre vou a estar agradecido ao Padre Ganni”. Se não foi pelo seu filho, foi pelo seu exemplo de vida e também na morte, é um referimento para ele e para toda sua familia; inclusive para o filho protagonista desta história que levará sempre consigo o vínculo com este sacerdote.

“Nosso filho não respirava”
O jornalista e experto em Oriente Médio conta prescisamente num artigo que se converteu numa homenagem sobre a história e o legado deste sacerdote que “quando nasceu nosso filho não respirava” e ainda é comum que os recém nascidos necessitem algo de ajuda para que comecem a respirar “desta vez foi diferente”.

“Nosso bebê não respondia a nada quando a parteira lhe tirou dos braços da minha esposa. Então alguém na sala apertou o botão de emergência e em questão de segundos uma dozena de profissionais da medicina correram para ele, mas ele não reagia; então achei que alguém falou: ´Se foi… Um ataque cardíaco´”, lembra Ed West.

O padre confia na intercessão de um sacerdote iraquiano
No seu relato em The Catholic Herald continua lembrando aquele tenso momento. “Foi então quando tudo tornou-se hiper-real, num momento de estresse intenso e de pânico. Não se pode creer que algo tão horrivel esteja acontecendo realmente. Foi nesse momento que me ajoelhei junto a cama e, por alguma razão ao homem que rezei foi ao Padre Ragheed Ganni”.

Depois de ter rezado e pedido a intercessão deste sacerdote mártir desde o mesmo hospital, pouco depois a equipe médica falou à minha familia West que su filho James tinha tomado dois minutos antes de gritar, “um som que nos trouxe tão avassalador alivio e alegria que eu não podia segurar minhas lágrimas e meus -algo atípico num inglês- abraços para os doutores. Podem imaginar quantas coisas havia sentido nesses dois minutos”, conta o director da publicação católica británica.

Sobre este evento – conta o mesmo pai do bebê -que possivelmente o que aconteceu não foi um milagre, senão simplesmente a rápida e eficaz atenção dos serviços médicos do hospital ainda que para ele, o importante não era esse possivel fato sobrenatural; pois apesar disso “de todos modos, agradeço ao Padre Ragheed e, ainda penso na sua vida de sacrificio durante um periodo de intensa perseguição aos cristãos, por ser um modelo a seguir”.

Seu exemplo de vida e sacrificio
Foi justamente sua entrega a Deus e a sua vida num contexto tão difícil o que tinha impressionado tanto a Ed West para que no momento mais crítico da sua vida se lembrasse justamente deste humilde sacerdote que vivia num pequeno canto esquecido do mundo.

“Seu amor sem límites”. Conta o jornalista católico que lembrava de ter  “leído essa frase que lhe ficou gravada e, que suponho que quando me sentí assustado pensei no Padre Ragheed e lhe rezei”.

Entretanto, Ed West tinha outra homenagem mais para o sacerdote a quem tinha rezado e, a quem recorreu em seus momentos mais turbulentos. Tivesse ou não intercessão pela sua parte, este pai de familia estava disposto a que na sua familia se manifestasse este amor ao sacerdote caldeu.

O menino sempre estara acompanhado por ele
“Aproximadamente uma semana depois do nascimiento e com um menino sano cujos gritos ja eram bastante menos bem vindos que esse primeiro arrebato mágico, no hospital me deram um pacote de documentos e notas que deveria levar a Prefeitura para registrar o nascimento”, lembra Ed. O nome escolhido era James mas o segundo nome seguia no ar e “eu queria outra coisa a pesar das protestas de minha esposa”.

“ Você sabe que eu tenho que fazer isto!” Falou o pai e jornalista à sua mulher. Agora o filho do diretor adjunto de Catholic Herald se chama James Ragheed. “Possivelmente o primeiro inglês em chamar-se assim”. “Somente espero que não tome represalia contra mim –conta rindo- porque ele vai ser exemplo e guia no caminho da sua vida”; termina Ed West.

A conclusão a que pretende chegar é que os exemplos de muitos católicos, mártires que deram sua vida por Jesus Cristo, nos servem em todo tempo, como foi no seu caso e quando creia que perdia a seu filho recém nascido. “Seu amor sem límites” foi o que levou a que um jovem jornalista do Reino Unido lhe confiasse para tão importante missão. Não se conheciam, viviam em lugares longe, más lhes unia o mais importante, Jesus Cristo.

O legado vivo que deixou em Iraque
E quem é o Padre Ragheed. Religião em Liberdade contava no mes de setembro passado que o legado que este sacerdote carismático tinha deixado entre os católicos de rito caldeu em Iraque: Autênticas pessoas de fé que permaneceram a pesar da perguição.

Seus correos eletrônicos nos que contava a situação dos cristãos no Iraque e as dificuldades que sofriam deram a volta ao mundo. Entretanto, este sacerdote nunca se encolheu e a pesar das ameaças não deixou de de celebrar a Eucaristia, a fonte da sua vida e de seus irmãos perseguidos. “Não é fácil, más a graça do Senhor dá apoio e força”, contava.

Num de seus  últimos correios, lembra Ed West, o Padre Ragheed afirmava que “cada dia esperamos ao ataque definitivo, más não vamos deixar de celebrar a Missa, vamos fazer-lo no subsolo, onde estamos mais seguros. Me anima nesta decisão a força de meus fiéis. Isto é a guerra, a guerra real, más esperamos cargar com nossa cruz até o final com a ajuda da graça divina.

“Escolheu o mais”
Entretanto, uma semana depois desse correio, saia do templo com três sub-diâconos quando aproximaram-lhes vários homens armados. Estes gritaram ao sacerdote: “Eu te falei para fechar a igreja; porque não o fazes? Por que seguis aqui?”. Ele, simplesmente respondeu: “Como posso fechar a casa de Deus?” Depois disso os quatro foram assassinados. A pesar do terror mais de duas mil pessoas foram ao funeral sem temer um atentado.

Lembra agora deste  padre de familia explicando o motivo que confiou no Padre Ragheed que “um homem que escolheu o caminho do sacrificio sempre me pareceu sumamente poderoso. Ninguém quer morrer ao eu e, posso imaginar o muito que deve ter querido fazer o mais fácil: deixar Mosul e, entretanto, escolheu o mais difícil”.

Fuente: RELIGION EN LIBERTAD

Tagged , , , . Bookmark the permalink.

Deixar uma resposta